Fundador da Comunidade Emanuel e da Fraternidade de Jesus

Pierre Goursat,

Fundador da Comunidade Emanuel e da Fraternidade de Jesus

No próximo dia 25 de Março, a Comunidade Emanuel celebra o 20º aniversário da entrada na vida eterna de Pierre Goursat, Fundador da Comunidade Emanuel e da Fraternidade de Jesus. Com o acordo do Cardeal André Vingt Trois, Arcebispo de Paris, a sua causa de Canonização foi oficialmente introduzida no dia 7 de Janeiro de 2010.

Mas quem foi Pierre Goursat?

Pierre Goursat: um humilde Fundador

Um parisiense, um convertido, um evangelizador

Nasceu a 15 de Agosto de 1914, em Paris. Ele aí permanecerá ao longo de toda a sua vida.
A sua conversão dá-se quando ele tinha 19 anos e estava a ser tratado de tuberculose na planície d’Assy. Um dia ele apercebeu-se bruscamente que já não pensava no seu irmão Bernardo, mais novo que ele 2 anos e que tinha morrido subitamente aos 10 anos de idade. Foi como se o seu irmão lhe dissesse: “Tu já não pensas em mim porque tens o coração duro, és orgulhoso”. Pierre ajoelhou-se aos pés da sua cama de doente e teve naquele instante um encontro com Cristo de tal forma que iluminou toda a sua vida. Cortou então com a concepção de vida refinada e estética a que estava ligada o seu temperamento de artista. Pôs-se a aprofundar a sua fé, a rezar, a evangelizar.

Um adorador leigo

Durante a guerra encontrou o Cardeal Suhard, Arcebispo de Paris, de quem se tornou próximo. O Cardeal Suhard foi um dos primeiros a aperceber-se da descristianização da França e da necessidade de evangelizar de novo o país. Por outro lado confirmou Pierre na sua vocação de leigo: permanecer no mundo para aí ser um adorador de Jesus na Eucaristia e Evangelizar.
Durante a guerra de 1944, Pierre sai de uma situação perigosa graças à intervenção da Virgem Maria. Tal como tinha encontrado Jesus, encontrava agora Maria, sua Mãe. Praticamente todos os anos, desde então, foi a Lourdes.
- Empenhado no mundo da cultura
Nesta época ele consagrou-se à evangelização através dos livros, das revistas e da participação no Circulo dos Intelectuais Católicos. Orientou-se depois para o cinema de que tinha percebido a importância. Torna-se amigo e por vezes conselheiro de muitos realizadores e exerceu durante 10 anos a função de secretário do “Office Catholique du Cinema”. Contudo estava sempre doente com a tuberculose e acontecia-lhe sair da cama só para participar nestas reuniões.
Em 1970, reforma-se e leva uma vida muito simples. O seu ardente desejo de fazer conhecer Jesus, leva-o a reunir jovens, sob vários pretextos para os abrir à esperança de Deus. É assim que uma jovem se converte quando ele lhe lê a frase de Jesus à Samaritana: “Se conhecesses o dom de Deus…”.
Noutra ocasião, ajuda também o escritor Maurice Clavel a tomar consciência de que a crise que o sacode é uma busca de Deus.
Mas aquilo que ele fazia em ponto pequeno e quase na obscuridade, vai transformar-se numa epopeia com o Renovamento Carismático. A efusão do Espírito vai transformar tudo: inumeráveis conversões, a aventura da Comunidade Emanuel.

Um homem humilde

Pierre tinha uma humildade radical e simples. E isso dava-lhe a possibilidade de acolher pessoas muito diversas. Esta riqueza de origem caracterizará a Comunidade.
A humildade dava-lhe uma grande capacidade de escuta do Espírito Santo. Tornava a sua forte vontade completamente disponível à vontade de Deus. Muitos fizeram a experiência de que ele não hesitava em mudar os seus projectos depois de ter rezado, que ele modificava a sua própria ideia se um interlocutor lhe mostrava algo mais válido.

Livre para amar

Muito original, Pierre era um homem livre. Não estava fechado nas estruturas. Embora profundamente tradicional, não era um conservador. Era preciso criar um mundo novo, era preciso avançar. Era preciso renovar a Igreja que ele amava apaixonadamente. Por isso ele não se deixava deter por questões secundárias e transitórias.
Ele era também extraordinário pela sua alegria: alegria da presença de Deus, alegria da acção de Deus, alegria de viver com irmãos.
Marthe Robin fazia-se eco desta alegria, dizendo um dia: «Vou rezar para que a Comunidade Emanuel evangelize com alegria».

Todo o espaço para Deus

Uma Comunidade, seja ela qual for, guarda sempre alguns traços da personalidade do seu (ou seus) fundador (fundadores). Pierre tinha uma personalidade rica da qual não podemos dar aqui senão alguns traços.
Pierre era um homem completamente dado. Dado a Deus e dado aos outros sem nenhuma reserva. Isto não o impedia de ser plenamente humano com o seu carácter original, difícil para ele de dominar, e de ter muito humor. Pouco a pouco contudo e sobretudo no fim da sua vida, ele abandonava-se cada vez mais. Este Deus ao qual se tinha entregado era o Deus de amor, o Deus próximo.
Ele vivia do nome da Comunidade: Emanuel, Deus connosco. Foi ele que relançou a mensagem de amor do Coração de Jesus, em Paray-le-Monial, o seu apelo aos homens para que se tornem seus amigos.
Pierre, com efeito, não tinha um coração indiferente. Estava muito presente para cada um. Com espontaneidade, ele acolhia com compaixão os sofrimentos, os apelos, as necessidades dos outros, e em primeiro lugar dos seus irmãos de Comunidade. Ele ia oferecendo a Jesus tudo aquilo que as pessoas lhe confiavam. Assim adoração e compaixão iam a par.
Pierre sentia uma grande compaixão, em particular por aqueles que não conheciam o Senhor. Não há maior miséria que a miséria espiritual. Por isso Pierre falava sem cessar da evangelização, com toda a gente, incluindo as pessoas mais simples, mas com grande audácia. Para ele a Comunidade Emanuel só existia para evangelizar. Visionário, ele tinha uma inventividade formidável